sábado, 20 de setembro de 2014

O nome dela é Manuela!

Criança mais amada e querida que a minha filha não existe aqui nesse facebook não viu?! hahahaha
Obrigada pelo carinho gente!!! ... vou só dar uma resumida de como ela está, outrora escrevo no blog com a reciprocidade que a grande maioria aqui merece ter.

A Manuzinha está bem, está na escola especial há dois meses... vai e volta de transporte escolar sem a mamãe por perto, nos dois primeiros dias eu fiquei bem aflita, mas no terceiro dia quando ela entrou sozinha na perua, sentou, tentou colocar o cinto sozinha e meteu o carão na janela acenando pra mim eu percebi o quanto a minha baixinha estava feliz e crescida, e decidi que estava na hora da minha alma se libertar desse carma de achar que devo ser a mãe mais fodástica do universo...
Eu não sou a mãe mais fodástica do universo e se eu continuar me cobrando quanto a isso eu vou morrer antes os 30... hahaha .... e me sinto livre por ter aprendido isso!!!

Na escolinha especial ela não é uma criança inclusa, não é a criança com necessidades especiais, não é a autista e tão menos é a filha da Juliana... na escola especial ela é a MANUELA! tem amiguinhos que estão no mesmo processo e na mesma sintonia que ela... na mochila dela ainda vão fraldas e trocas de roupa e eu creio que isso teremos que carregar pra sempre, mas a mim já nem incomoda mais pois eu sei que existem lugares que a aceitarão da forma que ela chegar, e o meu maior orgulho é que hoje em dia junto das trocas de roupa também vão cadernos e lápis coloridos ... toda sexta feira ela trás lição de casa, e no primeiro dia que trouxe eu chorei horroresssss porque eu percebi que ela já conhecia a letra M do nominho dela... ( pensa num orgulho sem fim de ver ela segurando um lápis e fazendo a letra?) .... lá ninguém liga pra me dizer que ela esta nervosa e deve ir pra casa, ou que está incomodada... lá ninguém me dá dicas de "N" especialistas famosos que eu deveria leva-la, ninguém diz que ela deveria tomar "tal" remedinho, ir em tal igreja, fazer isso ou aquilo... lá eu sou mais uma mãe cotidiana como tantas outras nesse mundão a fora, e não ser "a mãe da menina autista" ta me fazendo um bem do BARALHO! ... ninguém força a minha filha a ser o que ela não é... lá ela é uma garotinha querida que volta todo dia pra casa com tinta cola grudada no cabelo e as unhas sujas de massinha de modelar, e isso enche o meu coração de poesia.

A novidade master que vou contar em primeira mão é que ela começou a falar uma porrada de coisas, e já arrisca algumas palavrinhas para se comunicar ( em breve eu posto vídeos pra vcs ) MAS ELA JÁ ESTÁ ATENDENDO ATÉ TELEFONE GENTE... kkkk só que ela atende, diz alô e em seguida fala tchau... hahahaha ( totalmente o contrário da mãe que parece uma maritaca quando pega um telefone.)

Tá uma cut cut de tão esperta... correndo feito um trenzinho desgovernado que nem é mais tão desgovernado assim.. coisa mais linda de mamãeeeee!!!!!
A escola oferece aula de música, culinária/nutricionista, enfermeira, psicóloga, fonoaudióloga... e sempre vem questionário na agendinha perguntando coisas sobre a Manu, o que ela gosta de comer, o que faz em casa, que músicas escuta... é realmente um sonho!
Na agendinha todo dia vem escrito o que ela fez, se comeu todo o lanche, se dormiu, se fez xixi, se chorou... TUDO!

Na escola tem passeios, tem festas, tem gincanas, tem aulas de todas as matérias... tem respeito e aceitação... e acima de tudo tem confiança, e tem pessoas que acreditam na minha filha e não uma galera que cursou magistério e tomou no rabo porque hoje em dia é lei incluir o deficiente ( e na boa? ser preparado pra uma função e ter que trabalhar em outra assim de surpresa pra muita gente é F*da pra cara#ho e hj eu consigo entender isso de uma forma mais serena, só acho que todo mundo tem o direito de ser feliz no caminho que escolher) .... quem esta lá na escolinha escolheu estar, quem escolheu estar é porque REALMENTE gosta do que faz ( e cá pra nós a educação especial não é bolinho de chuva não minha gente, só quem realmente está em sintonia é capaz de obter sucesso nesse meio, e eu já vi muita gente desistindo no meio do caminho) jamais menosprezando todos os outros lugares que minha filha já passou, muito pelo contrário cada um só teve a acrescentar na vida da minha bolinha de queijo.

 Mas hoje, com sete anos ela não é mais a garotinha que precisa se socializar para ser um "mínimo" parecida com as demais crianças, ela precisa de um lugar que acredite num futuro cheio de coisas lindas pra ela e que saiba por onde conseguir isso de forma digna E RESPEITOSA com suas limitações e características.

Até o presente momento eu só tive dias felizes com relação a escola, não vou ficar aqui fazendo propaganda e nem divulgando nome ( e aliás vcs nunca mais verão uma postura dessa forma na minha pessoa novamente, cansei de levantar bandeira por qualquer organização que seja porque nós bem sabemos que todas elas possuem prazo de validade pro autista, na hora que você acha que tudo está as mil maravilhas te colocam pra fora que nem se enxota cachorro da porta do supermercado) e não foi uma nem duas vezes que nós passamos por isso... então, acho que eu aprendi ...

Bandeira mesmo eu vou levantar pra cada profissional que passou e ainda há de passar pela vida da minha pequena, gente que tem coração e que riu e chorou junto comigo, que vibrou e se emocionou a cada conquista dela com a mesma intensidade que eu, gente que quando eu tava na pior guardou todo profissionalismo no bolso e se mostrou "irmão", GENTE que quando fez tudo que aprendeu na faculdade e não viu solução veio me oferecer um abraço e dizer que tava junto comigo... a minha bandeira será sempre por cada um de vcs profissionais que possuem sangue nas veias e não apenas diplomas na parede... a minha luta não é por um prédio de concreto e nem pelo que ele trás escrito na faixada dele... eu só quero ver a minha garotinha feliz e sendo respeitada da forma que ela merece seja aonde for.

Obrigada a todos que torceram e torcem pela gente!
PS: Tem dias que as seis da manhã ainda esta escuro! rs

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Doce suicídio

Entre pipoca espalhada pelo chão, marcas de dedinhos nas paredes e tardes de frio esticada no tapete da sala, eu vou criando a minha filha.

Hora sendo mãe, hora sendo amiga, professora, terapeuta... e sendo cúmplice da panela de brigadeiro até as danças da Xuxa que já decorrei as coreografias...

Assim doando toda vida que tem em mim... tomando banho juntas para ensinar os nomes das partes do corpo e a forma correta de lavar os cabelos... almoçando minha comida com pressa para ensinar a ela com prioridade e calma a maneira correta de segurar o garfo, gastando o dinheiro contado com diversos legumes e frutas diferentes para testar seus gostos e trabalhar as rejeições do paladar...

Tem sido assim, desgastante, cansativo e muito, mais muitooooo gratificante.
Neste instante me dei ao luxo de entrar no facebook para dar um "Oi" para os amigos... ela rapidamente arrastou uma cadeira e sentou-se ao meu lado, fica olhando as fotografias das pessoas, toca com leveza os dedinhos na minha boca como quem diz:

-Mãe... fala tchau pra eles, vem brincar comigo!

Logo ela me pega pela mão... me faz desligar o pc e me chama pra jogar bola ou pra fazer cosquinhas nos pés dela... a alegria dela ao conquistar minha atenção se compara a alegria de quem ganha algo de muito valor, e isso me faz um bem tão grande!!!
Eu nem sei quando ela acaba e eu começo, eu nem sei se eu começo ou se já não acabei há tempos... eu sei que dedicação é algo sublime e enlouquecedor... eu também sei que ela é meu bem maior e que por ela eu tomo uma dose de suicídio diário que é tão doce quanto suco de groselha... eu vou morrendo em mim e vivendo nela, vivendo pra ela... 

Ela abre a porta desse mundo tão bonito pra mim... e eu a respeito e ando com cuidado porque o meu mundo depende apenas do dela pra girar...
Aliás, ela é meu mundo!

É uma noite longa
Pra uma vida curta
Mas já não me importa
Basta poder te ajudar...

terça-feira, 17 de junho de 2014

O autismo, Manu e eu

Era uma terça feira como outra qualquer, daquelas que a gente acordava cedo e pegava um ônibus até o terminal de ônibus... e de lá pegava outro ônibus até a estação do metrô... e de um metrô baldeava pra outro... e assim chegávamos na Vila Mariana... ( era um caminho longo, mas era o nosso caminho.)

Sempre quando atravessamos a catraca do metrô batia um vento forte, abríamos os braços e íamos correndo até a escadaria de saída como se fôssemos voar... Manu chegava a estação Vila Mariana alegre, risonha, afoita por ter chego... eu sempre tinha que segura-la porque ela tinha vontade de correr desvairada em direção ao Projeto Amplitude atropelando tudo que tinha pela frente... rs 

Todas as semanas dos últimos 16 meses tinham sido assim, mas nessa algo era diferente e ela sabia disso tanto quanto eu, ela estava cabisbaixa, meio apática, cheguei a cogitar pela manhã se ela não estava doente, com febre, resfriada... mas ela não estava.

O Projeto Amplitude acabou pra nós, aquele lugar aonde chegamos sem um pingo de esperança e que por muito tempo foi o que deu colorido e força para nossas vidas havia acabado e naquela terça viveríamos o que seria nosso "Last day"...

Naquela terça feira nós fizemos o caminho como de costume, paramos na lanchonete pra tomar café como sempre fazíamos nos dias de terapia, e como se revivêssemos a última ceia mastigamos bem devagar, porque no fundo algo ecoava em nossa mente nos avisando que aquela seria a última vez.
E foi assim...

O Projeto Amplitude acabou para minha pequena e pra tantos outros coleguinhas que por muito tempo foram tudo que fazia sentido na vidinha dela... a rua que descíamos apostando corrida jamais tornará a ouvir o som dos nossos passos novamente, e isso doeu na alma só de pensar... mas nós vestimos o nosso melhor sorriso, o de despedida.

Eu gostaria de dizer que acredito que as pessoas que ali conheci serão pra sempre presentes na vida da minha pequena, mas eu não consigo mais acreditar nisso, NÃO CONSIGO!

Manu tem 7 anos... 7 anos de uma vidinha cercada por turistas e desapegos... 7 anos dos quais já passaram diversos terapeutas, diversos amigos, diversos médicos, diversos lugares e nada nunca se efetiva ou se finda por muito tempo, de repente no melhor da festa os convidados somem e ela fica sozinha na hora de cantar o parabéns, tem sido assim há 7 anos sempre fica "O autismo, Manu e eu" todo resto é passageiro, toda estrutura criada é momentânea, é paliativa, não importa pra onde a gente corra, no fim das contas o encontro sempre será entre eu, ela e o autismo mesmo que indiretamente, mesmo que sem perceber, não importa a ordem, no fim a regra sempre será de 3.

As vezes tento me esforçar e puxar lembranças antigas de quando eu tinha 7 anos... me lembro da escola, dos amigos, dos professores, me lembro da sensação da perca dos amiguinhos quando um ano se findava e no ano seguinte caiamos todos em salas separadas, fazíamos mil e uma promessas de que seriamos amigos para sempre, que uma sala diferente jamais nos separaria, que ficaríamos juntos na hora do recreio... e depois de uma semana lá estávamos nós, separados, mal olhávamos na carinha uns dos outros, e estávamos entretidos demais com nossos novos amigos...

Hoje, depois de grande vejo que crescer é a coisa mais cruel e vazia que existe, a gente acha que está em constante processo de amadurecimento, quando na verdade estamos a cada dia um passo mais próximo do vazio e do marasmo no qual guiamos nossas vidas...

Lá na frente, anos luz da infância a maioria das crianças que se afastou do coleguinha que trocou de sala vai se tornar um adulto cético de amizades, vai preferir não se apegar verdadeiramente a ninguém por já ter um histórico imenso de amizades que partiram com a esperança de nunca acabarem, essa pessoa quando ver um conhecido no super mercado vai abaixar a cabeça e fingir estar escolhendo as frutas na esperança de não ser notado por um velho amigo, vai ignorar qualquer laço que estreite amizades a ponto de nem saber qual foi a última vez que foi tocado, abraçado, ou beijado no rosto por um amigo... e assim vai trocando de amizades como quem troca de roupas, sempre fugindo dos laços do apego.

As pessoas crescem, se afastam, estreitam os vínculos, praticam o desapego o tempo todo, e eu digo isso não metaforicamente, falo com total exatidão de alguém que muitas vezes sofreu por tentar lacear demais uma amizade, alguém que já perdeu gente demais e hoje prefere praticar o desapego só pra mostrar que é forte mas que na verdade chora sempre por se sentir sozinha.


Com tudo, só quero exprimir o quanto o desapego de crescer já faz parte de mim e está arraigado em tudo que eu sou, e o quanto me magoa ver que na vida da minha pequena isso se tornou mais constante e também inevitável, como toda essa avalanche de sentimentos afeta uma pessoinha tão pequena com tantas limitações para compreensão?


Eu não sei se o fato da Manu ser autista torna o desligamento mais fácil ou mais complicado, eu não sei qual o real sentimento dela com relação a tudo isso, eu nem falo dos benefícios terapêuticos (pois esses eu não tenho dúvida do quanto eram benéficos e prefiro nem pensar por hora já que não há nada que eu possa fazer para suprir essa carência no momento) mas eu falo do ser, do estar, do quanto fazer parte desse circulo foi significativo pra ela, do fato daqueles rostinhos amigos que faziam parte de todas as suas semanas e que de repente irão desaparecer e se tornarão fotografias na página do facebook, e quando muito uma visitinha ou encontro em uma tarde agradável que sempre deixará um gostinho de quero mais e uma realidade de vai ter menos... 

E assim as pessoas vão seguindo seus caminhos, quebrando as cabeças por ai, se esbarrando de vez em nunca, se distanciando e mais uma vez provando a lógica de que o pra sempre, sempre acaba!

Nada vai mudar o sentimento que ficou, o que se cativou, e as lembranças ficarão intactas nos lugares mais bonitos da memória. E A VIDA SEGUE!

Eu vou pra sempre ser grata ao Projeto Amplitude, e grata ao cosmos por ter conspirado para que um dia, nem que por curto prazo aquela porta tenha se aberto pra nós e dado um start a tantas coisas na minha vida de mãe da Manuela, as sementes ali plantadas jamais serão em vão, aprendemos com cada detalhe dessa experiência maravilhosa e talvez seja por isso que a dor de perder algo tão bom seja tamanha neste momento. ( Como já citei em outros ares por ai, não sou boba, sei do quanto é difícil para uma pessoa da minha classe social encontrar terapia de qualidade para filha, a maioria se joga por ai as cegas pelos cantos sem nem saber qual metodologia é trabalhada, eu não consigo ser assim.)



Nós ficaremos felizes, claro que ficaremos! mas no momento esse é o quadro que temos.

Triste ter que ensinar a um filho que o mundo que ele vive não é um conto de fadas, triste ter que ensinar a um filho que as pessoas que ele ama estarão sempre em transição e que as nossas vidas nada mais são que pontos turísticos que futuramente não passarão de fotografias bonitas na página de alguém que talvez nem queira mais ser nosso amigo.

Essa é a hora que a maternidade exige da gente respostas que nunca nos foram dadas por nossos pais, nem por mais ninguém!


"Filha, as pessoas vão embora... mas as coisas boas que elas plantam sempre ficam!"

(essa é a explicação que empurramos goela abaixo de uma criança neurotípica, e pra uma criança autista? como explicar o que nem nós conseguimos entender direito? )



segunda-feira, 2 de junho de 2014

Nós avaliamos vocês!

Senhores terapeutas, professores, médicos... e qualquer profissional que lide com o público autista.

Quando vocês marcam uma avaliação, anamnese, triagem.. etc...etc... vocês devem estar cientes de que não são os únicos "avaliadores", nós pais de crianças com necessidades especiais também avaliamos vocês o tempo todo, resolvi listar aqui algumas coisas da minha triagem pessoal.

Quando entro em uma sala ou escritório com qualquer profissional relacionado a minha filha, eu avalio a conduta e observo cada detalhe, se ao entrar você não cumprimentar minha filha e não for carinhoso no trato com ela a minha primeira impressão sobre você será ruim, entendo que profissionalismo nem sempre vem arraigado com boa educação, mas eu tratarei você da forma que você me tratar.

Se ao sentar na sua frente, você disparar um questionário sem fim sem nem se quer levantar a cabeça e olhar nos meus olhos, eu não vou gostar de você e você perderá 70 pontos de 100 com essa atitude.

Quando for se dirigir a mim me chame pelo meu nome, geralmente está na parte de cima da ficha já que sou responsável pela minha filha, caso não esteja me pergunte e anote em um pedaço de papel para dar continuidade a sua entrevista.

Quando for se dirigir a minha filha, não se refira a ela como "a autista" "a deficiente" o nome dela também está evidente na ficha que está na sua frente, seja mais atento. Nós agradecemos!

Quando for me fazer perguntas sobre as dificuldades da minha filha não seja cruel, eu como mãe sei melhor do que ninguém quais as dificuldades dela, eu não preciso ouvir de você que ela é uma autista severa ou que tem retardamento mental, quando for falar coisas pesadas seja claro, jamais cruel ( não confunda clareza com crueldade, há um abismo bem grande entre as duas posições ) e tão pouco seja indiferente com o fato da minha criança estar na sala, ela está presente e capta tudo que está acontecendo por mais aérea que ela lhe possa parecer, em uma triagem uma vez a médica disse que minha filha tinha a inteligência de um filhote de cachorro, e naquele dia minha criança ficou mal, teve febre, chorou muito, e nós nunca sabemos o porque dessa reação pois nada foi encontrado fisicamente para desencadear tais reações. Portanto na dúvida, opte sempre pelo respeito ao seu paciente em primeiro lugar!

Não faça comparativos tolos com seus "exs" pacientes ou alunos. Ex:

Eu tive um paciente que fazia isso e ele só mudou quando fez uso do medicamento tal ou da terapia tal.

Peço que antes de qualquer comparativo avalie as nossas condições gerais ( sejam elas religiosas, físicas, financeiras... ) e me oriente de acordo com elas ( já cheguei a ouvir de profissionais que a única forma da minha filha ficar bem seria terapia intensiva na escola "X", e isso é o mesmo que dizer que ela nunca vai ficar bem de outras formas já que minhas condições não abrangem essa alternativa, nossa realidade financeira não nos permite seguir a recomendação, portanto, bote a caxóla pra funcionar e me ajude a enxergar maneiras que caibam no meu padrão de vida, pois do contrário minha passagem pelo seu consultório será inválida e você terá sido mais um profissional inútil e padronizado existente por ai.



Tenha respeito pelo seu entrevistado, seja ele particular ou público, nós  ( Manu e eu ) já entramos na sala de um psiquiatra que no meio da consulta atendeu o celular e ficou conversando no canto da sala por 15 minutos e ao sentar de volta não nos pediu desculpa e continuou o questionário sem nem se quer olhar em nossos olhos e em tom de aceleramento para acabar logo com a consulta.


Faça a diferença, não precisa ser o "Doutor simpatia" mas seja educado, seja compreensivo com as dificuldades do seu paciente e quando houver algo que você possa fazer para amenizar o dia do paciente e de sua família em uma consulta. FAÇA!
seja colocar uma música pra que ele se acalme ou oferecer uma folha de papel pra que ele desenhe.


Por último e não menos importante;

Se você está infeliz com a profissão que atua, JOGA TUDO PRO ALTO! se cansou de ser professor? terapeuta? médico? ... larga tudo e vai morar numa cabana na praia, vai ser bailarino, vendedor de coco na feira, açougueiro, adestrador de cães ou qualquer outra coisa... existem milhares de profissões pra vc escolher e todas por mais humildes que possam lhe parecer são dignas na mesma proporção e tão lindas e úteis quanto, afinal não é a escolha que te levará ao sucesso, e sim a forma que você decidir encarar a sua escolha, jamais deixe que a sua insatisfação pessoal interfira na vida do próximo.

Nós avaliamos vocês, sejam felizes, e jamais se aproximem dos nossos filhos se isso estiver sendo feito por obrigação e não por prazer profissional.






domingo, 25 de maio de 2014

Exército de um homem só

Um dia eu ouvi dizer que a melhor coisa pra uma criança autista era ser incluída em uma escola regular... só que ninguém me disse o quanto seria complexo com o passar do tempo, ninguém me disse que na escola regular não existiria a estrutura pedagógica especializada da qual minha filha tanto necessita, ninguém me disse que com o passar do tempo eu ouviria chacotas e piadinhas de outras crianças quando passa-se com minha filha na rua, ou que algumas mães insinuariam que minha filha atrapalha o andamento da classe. Ninguém me disse!

Ninguém me disse que seria de direito dela estar incluída mas que isso só seria possível se ela permanecesse por apenas uma hora na escola e que nessa uma hora ela estivesse medicada pois do contrário as pessoas não saberiam como lidar com ela nem por 15 minutos se quer.

Um dia alguém me disse que se minha filha não estivesse mais a vontade na escola regular eu deveria procurar uma escola especializada, um dia alguém me disse que nós teríamos esse direito assegurado por lei... um dia alguém me disse... só que ninguém me falou que quando damos entrada em uma ação contra o estado para custeio de bolsa escola especializada para o autista, eles nos enviariam para qualquer local, de qualquer jeito, ninguém me disse que as escolas especializadas estão lotadas e que pra conseguir uma vaga as escolas dispunham de triagens das quais só entra quem estiver apto e atender o perfil da escola, ninguém me disse que as escolas especiais, aquelas que deveriam ser as nossas aliadas nessa jornada escolhem a dedo qual autista entra e dão preferência para os que possuem alto funcionamento, ninguém me disse que a maior parte das escolas cadastradas pelo estado são depósitos, lugares tristes, sujos e malacabados, sem vida, sem cores, sem parques, com brinquedos velhos e quebrados quando muito ainda possuem brinquedos porque a grande maioria nem se quer tem, lugares esquecidos pelo mundo, lugares esquecidos até por deus... longe de casa, longe de tudo, longe de todos... como se os que ali frequentassem fossem criminosos a espera de uma sentença final.

Um dia alguém me disse que é direito da criança estar matriculada em uma escola... só que mais uma vez esqueceram de me avisar que essa lei não se aplica ao defeituoso, ao despadronizado, ao imperfeito.

Ninguém me avisou que o ser humano com autismo não possuía direitos, ninguém me avisou que o pouco que é esmigalhado é feito de restos e cronometrado com prazo de validade e que na melhor parte da festa seu filho será enxotado como se fosse um filhote de cachorro abandonado, ninguém me avisou que a pessoa autista quando cresce deixa de ser pessoa e passa a ser somente autista... é tudo cruel demais pra alguém querer avisar, é tudo triste demais pra alguém dizer que vai estar ao seu lado quando o cronometro cessar, quando a porta fechar ou quando a luz apagar.

No fim do túnel tem um muro de concreto resistente e a única broca capaz de perfurar é de papel e vem com cifrões desenhados, na única broca resistente como se fosse ironia de vidas tolas a frase predominante é  "DEUS SEJA LOUVADO"

Que deus seja louvado na casa de quem não tem broca de papel, que deus também seja louvado na casa de quem nunca vai quebrar o muro, que deus seja louvado pra quem chegou no fim do arco íris e vai voltar pra casa sem o pote de ouro.

EU não tenho mais forças para brigar por uma inclusão de forma digna e nem minha filha tem mais tempo pra rascunhar sua integridade com tentativas frustradas.

EU não tenho coragem de empurrar a minha filhinha tão amada a um depósito de porão, em uma escola fria que não bate sol, que só tem brinquedos quebrados e pessoas esquecidas.

EU não tenho uma carteira recheada de "DEUS LOUVADO" pra poder quem sabe "TENTAR" algo de merecimento e a altura, o pouco deus louvado que temos é o que usamos pra comer e dar um mínimo de conforto a nossa criança que lá fora já é tão negligenciada.

Eu gostaria de contar que ao fim das minhas andanças encontrei um pote de ouro, um lugar bem bonito e dedicado para acolher a minha maior dádiva, mas as histórias dos figurantes da vida nem sempre tem um final tão bonito de se ver, eu queria dizer para as pessoas seguirem adiante, pra não desistirem da luta como eu...

 Foi o que me disseram um dia...

 Somos um exército, o exército de um homem só
No difícil exercício de viver em paz!


 Eu sinto muito Manu, não tenho mais nenhum lugar do mundo pra te oferecer que não seja no meu coração com todo amor pra sempre!


quarta-feira, 30 de abril de 2014

Tuas idéias não correspondem aos fatos

Cansei de ter pessoas me dizendo o que eu devo fazer sem qualquer empatia com minha condição financeira, física ou psicológica, cansei de ver gente apontar o dedo na minha cara me dizendo para procurar ajuda para mim sem um pingo de compaixão a minha realidade, experimente entrar em um consultório psiquiátrico dizendo que está confuso ou que está triste... você será "rivoltrizado" até que se torne uma pessoa confusa, triste e dopada... Bem vindo ao SUS! Bem vindo a minha vida!

Nenhuma pessoa fica deprimida por questões de curto prazo, as pessoas se deprimem porque foram abandonadas, rejeitadas, injustiçadas, menosprezadas por muito tempo, e isso só transborda porque fica insuportável guardar sem transparecer.





"Você chama a minha dor de frescura e o meu cansaço de preguiça... você chama  meu desanimo de desprezo e as minhas dificuldades de covardia... estranho é nunca ter ouvido você chamar essa sua incompreensão de desamor"


Eu preciso de amigos, e não de comprimidos manipulados!

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Que o amor guie meus passos!

Saudade do tempo que a minha Manu ia pra escola para ser criança e não para ser autista.

Se hoje ela não vai pra escola é porquê eu escolhi investir na criança e não no autismo.

Se no futuro eu estiver errada, então que eu erre por ter dado infância demais, carinho demais, colo demais, mimo demais... e não por ter dado autismo demais... O autismo está instalado em nossas vidas pra sempre a gente gostando ou não, já a infância vai embora quando menos esperamos...


Não importa qual estrada você escolherá, o que importa é a sua maneira de trilhar qualquer caminho com sabedoria...
Ser sábio não é sempre fazer a escolha certa, ser sábio é fazer a escolha errada valer a pena!